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8 de março de 2010

"M" de Mulher, Mãe, Mestra

Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.

Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". Desde essa data, o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo.

Nesta data, pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à mulher.

Nesta data, a Biblioteca Escolar ofereceu um marcador de livro, com todos os nomes femininos de todas as MULHERES da nossa escola. 
A todas elas, prestamos a nossa homenagem com estes versos de um autor anónimo:

Hoje,
não quero ser
a mulher forte, com atitude
de leoa, sedutora,
aquela que luta, defende,
conquista,
consola, abriga...
Hoje,
eu quero deixar que
a mulher sensível, delicada,
romântica, frágil...
seja vista e sentida!
Quero um carinho, um abraço,
um colo...
Quero braços que me
envolvam
protejam, abriguem.
Quero um corpo onde possa
me aconchegar;
um ombro para poder chorar,
uma mão que acaricie
os meus o cabelos,
olhos que vejam as lágrimas
caírem no meu rosto
quando falo dos meus
medos ...
uma boca que me diga palavras
de ânimo e esperança
e que me beijem com
amor e carinho!
Quero olhos que vejam a minha
fragilidade,
que me admirem por ser delicada
e que não desejem que eu
tenha que ser sempre forte!
Quero ser admirada, notada,
e quero que me queiram
por também ter um lado frágil.
Quero que me admirem por ser
mulher na sua essência,
não só o lado leoa, mas
o lado beija-flor e também flor!
O lado que necessita do outro
que também precisa receber!
Quero hoje... a fragilidade de ser MULHER.


6 de março de 2010

Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.
 Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
 Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
 Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
 Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
 ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
 Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade